sobre mim

Juliano Sanchez

A infância

Desde criança, já era assim, apaixonado por cães.
Onde tinha um cachorro, lá estava eu.

Decisão e Início da Carreira

Num parque temático em Inuyama, no Japão, assisti a um teatro do Peter Pan apresentado por poodles.

Cães executando cenas no palco com precisão e entusiasmo. Naquele momento, comecei a pensar em tudo o que cães treinados são capazes de fazer: guiar deficientes visuais, detectar doenças, oferecer suporte emocional, salvar vidas.

Voltei ao Brasil decidido a trabalhar com cães. Em 2005, comecei minha trajetória como adestrador.

Mas as perguntas não paravam

Comecei pelo método tradicional, enforcador, punição, dominância. Os cães obedeciam. Parecia funcionar.

Mas algo não fechava. Por isso nunca parei de estudar: agility, guarda, pastoreio, free style, clicker, busca e faro, comportamento — mais de 20 cursos ao longo dos anos. Cada formação trazia mais técnica.

Algumas perguntas continuavam sem resposta:
"Por que o cachorro bem treinado continua ansioso?"
"Por que ele sabe o comando mas não responde quando importa?"
"O que está acontecendo dentro dele?"

Numa formação com Terry Ryan, uma das maiores especialistas em comportamento animal do mundo, fiz duas pergunta que pareciam simples, mas mudou minha visão sobre comportamento canino:
"Qual a melhor forma de ensinar o não pro cachorro?"
"Se você deixa muito bem claro o sim, você não precisa ensinar o não."
"Como treinar um cão que não aceita petisco na rua?"
"Todo cachorro precisa comer. Se ele recusa comida, há algo errado no ambiente ou no treino."

Um cão em estado de alerta, desconfortável, com o sistema nervoso ativado, não está disponível para aprender. Não é comportamental, é biológico. Era o que eu observava e não sabia nomear. O cão precisava estar tranquilo, curioso e presente para só então qualquer ensinamento fazer sentido.
Tudo ficou claro e encontrei a resposta que eu precisava para associar com tudo o que eu já havia estudado antes.
A partir desse curso, parei de utilizar técnicas aversivas no treinamento de cães.
O cão precisa estar tranquilo, curioso e presente para aprender.

A confirmação veio de um abatedouro de gados

Num determinado momento, ouvi falar de Temple Grandin — uma zootecnista autista que revolucionou o manejo de animais em abatedouros nos Estados Unidos.

O que ela fez foi direto: se colocou no lugar do gado. Redesenhou os espaços a partir do ponto de vista do animal — o que ele via, ouvia, sentia — tudo a partir de uma pergunta que ninguém tinha feito antes. O que esse animal está sentindo?
Quando ouvi isso, a ficha caiu. Era exatamente o que faltava na minha abordagem. Precisava enxergar o mundo através dos olhos do cão.

Aprendi a ler o que os cães dizem

Mergulhei no estudo de linguagem corporal canina. E quanto mais eu entendia os sinais — o desvio de olhar, o corpo tenso, o bocejo fora de hora — menos conseguia ignorar o que via durante os treinos.

Em 2020, o método ganhou nome MEC Modificação Emocional Canina.
Não é uma lista de comandos. Não é um protocolo fixo.

É uma forma de se colocar no lugar do cachorro antes de agir.
Trabalha as causas, não os sintomas.
Usa a rotina do dia a dia como campo de transformação.
E coloca o tutor no centro do processo como referência emocional do animal.

Sem enforcador. Sem punição. Sem medo.

Ao longo de duas décadas, vi famílias que estavam no limite encontrarem uma convivência que achavam impossível. Não porque eu adestrei o cachorro delas, mas porque aprendi, junto com elas, a entender o que o cachorro estava vivendo.

Essa é a missão da Dogs Demais: ensinar pessoas comuns a pensar como analistas comportamentais do próprio animal.

O problema quase nunca está no cachorro. Está em como os humanos interpretam — e respondem — ao que ele comunica.

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